Representantes da entidade, que estiveram na Intersolar em São Paulo, na semana passada, aproveitaram para se reunir com o Movimento Solar Livre e tratar de mudanças regulatórias
O armazenamento de energia por baterias deixou de ser tendência distante e passou a definir a próxima etapa do mercado de renováveis no Brasil. A avaliação é da Associação Paraibana de Energias Renováveis (APB Renováveis), que retornou da Intersolar South America 2026, encerrada na última semana, em São Paulo, com o tema no topo da sua agenda para os próximos meses.
A urgência tem data. Em dezembro, o país realiza os dois primeiros leilões dedicados exclusivamente a sistemas de armazenamento em baterias (BESS), que vão contratar potência para dar mais flexibilidade ao Sistema Interligado Nacional. O pano de fundo é o desperdício de energia limpa: a região Nordeste concentra os maiores volumes de corte de geração do país, e uma parcela da energia solar e eólica gerada na Paraíba tem sido limitada por restrições da rede.
Para o vice-presidente técnico da APB Renováveis, José Ricardo Félix, o que se viu na Intersolar não é mais protótipo. "O armazenamento resolve dois problemas que a Paraíba já vive: a energia que é cortada por falta de escoamento e o descompasso entre o horário em que se gera e o horário em que se consome. Quem se preparar agora vai encontrar um mercado em formação; quem esperar vai chegar quando as regras já estiverem escritas".
A leitura se confirmou nos corredores do Expo Center Norte. Com mais de 600 expositores, entre eles grandes companhias globais como a PowerChina, a edição deste ano teve o armazenamento como fio condutor das estratégias apresentadas pela indústria (de baterias residenciais a sistemas de grande porte).
O vice-presidente financeiro da entidade, Thiago Diniz, que também esteve no evento, avalia que a tecnologia reorganiza o próprio modelo de negócio do setor. "Deixa-se de vender apenas geração e passa-se a vender confiabilidade. A preocupação da APB é que a Paraíba não seja só consumidora dessa tecnologia, mas participe da cadeia, seja em projeto, integração, instalação ou serviço. Isso significa qualificar empresa e mão de obra local a partir de agora".
Durante a feira, representantes da APB Renováveis também participaram de uma série de reuniões ao lado de Hewerton Martins, à frente do Movimento Solar Livre (MSL), voltadas a pautas regulatórias e legislativas do setor na Paraíba e no Brasil.
"Tecnologia sem regra não vira mercado", resume o diretor secretário-geral da APB Renováveis, Adriano Santos, mais um representante da entidade na Intersolar. "As conversas que tivemos em São Paulo, inclusive com o Movimento Solar Livre, foram exatamente sobre isso: garantir que a regulamentação do armazenamento e as revisões que vêm pela frente construam um ambiente favorável ao investimento, e não mais um obstáculo para quem produz energia limpa", destacou.
O armazenamento segue como um dos eixos prioritários da atuação da APB Renováveis em 2026, ao lado do acompanhamento das mudanças regulatórias que devem redesenhar as condições de investimento no setor nos próximos anos.
